segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

NAVEGAR PELO MARAJÓ


O arquipélago do Marajó é a maior ilha fluvial do mundo, com cerca de 50 mil quilômetros quadrado que compreende 16 municípios, 512 ilhas e uma população habitacional ribeirinha de aproximadamente 80.000 famílias. Esta localizado ao norte do Estado do Pará. Navegar pelas águas dos rios marajoara é um presente mágico de Deus. A vista exuberante leva-nos a refletir a história sofrida da sociedade ribeirinha que vive as margens da exclusão social em pleno século XXI.
Adentrar neste universo é analisar um povo que possui uma força interior que nos leva a discutir esse calidoscópio cultural, composto por tradições e fenômenos que expressão seu conjunto de simbolismo e tradição como num conjugado de enunciados que possibilitam a discussão de seus códigos de identificação.
Partilhado pelo olhar de quem vivencia o embrionário dessa diversidade cultural e suas diferenças, valorizamos suas praticas com intuito de promover seu reconhecimento nas diversas formas de luta contra a desigualdade social.
Sabemos que esse trabalho é um desafio, pois consolida o direito de resgate a cidadania e a moradia defendendo desta forma a característica da comunidade ribeirinha no Marajó.
Ainda falta muito, porém a SPU/PA se propôs sair à frente desbravando espaços geográficos e sociais que até então eram desconhecidos, levando políticas públicas. Passamos a enfocar a realidade ribeirinha resgatando um pouco de sua história e trajetória dando ênfase ao processo de reordenação social, retratando a valorização de sua identidade como homem amazônico, a medida que catalogávamos sua experiência cultural e social com o rio.
Com o propósito de legitimar o trabalho adentramos o interior de cada rio pelos municípios aos quais passamos, esquadrinhamos margens, lagos, furos, igarapé e seus braços e afluentes, ou seja, todo e qualquer curso d’água deste imenso arquipélago para dar respostas às necessidades daqueles que tem por dever e obrigação ter seus direitos reconhecidos.
Atuar neste campo leva-nos a compreender o quão abstrato é o concreto dessas comunidades, pois o isolamento geográfico dificulta as relações. Entretanto foi a partir destas questões sociais que a SPU/PA através da inovadora administração do Dr. Neuton Miranda (Superintendente do Patrimônio da União no Pará) dispô-se a pensar, destacando como cenário a região do Marajó.
Integramo-nos com o povo, levantamos propostas e ouvimos respostas quanto a seus posicionamentos de submissão do caboclo mediante aos que se diziam dono da floresta. E assim integramos o ribeirinho solidificando seu processo de luta bem como a formulação de projetos que valorizam suas peculiaridades expressa, sobretudo em sua forma de trabalho agro-extrativista. Visto que estabelecer um olhar compreensivo a necessidade do outro é saber conceber uma vida digna. Estar atento as multifacetas da realidade é revelar a importância da busca de novos direcionamentos.

2 comentários:

  1. Esse Trabalho é magnífico meu Camarada, pois mostra a realidade do nosso povo Marajoara, dos nossos irmãos Ribeirinhos que estão desasssitidos das Políticas Públicas e Sociais em nossa bela Amazônia.
    Itamar, Eu trabalhei em Anajás, o coração da linda e exuberante, mística, fascinante, misteriosa, grandiosa Ilha do Marajó. Um dos lugares mais belo do Planeta, onde existe uma biodiversidade rica que está presente na vida dos cidadãos da floresta, pois muitos dependem dela para sobreviverem e por isso essa região tem que ser preservada para o futuro das novas gerações, ou seja, para o bem estar dessas famílias e do próprio Mundo.
    Trabalhar na Ilha é fenomenal, como Eu gostaria de retornar para ai novamente. Souré é a minha cidade preferida, estive lá apenas uma vez, é fantástica assim como o nosso povo paraense que tem uma cultura própria e que encanta o Mundo Inteiro. Salve o "Mestre Verequete" e tantos outros que cantam a vida deste arquipélago.

    Um Abraço,

    MARCELO BELÉM: www.marcelobelemorevolucionariodoalem.blogspot.com

    ResponderExcluir